Caem importações da China na RMC

Cidades

Estudo aponta que resultados podem estar atrelados ao coronavírus; entre as que mais exportam, Indaiatuba sofre pouco impacto

A importação de produtos fabricados na China, principal fornecedora da indústria regional, teve queda superior a 12% em janeiro. Segundo relatório do Observatório PUC-Campinas, o resultado pode estar atrelado ao coronavírus, que se tornou preocupação mundial nos últimos meses. Indaiatuba registrou saldo negativo (-74,48%) na balança comercial da Região Metropolitana de Campinas (RMC), embora esteja entre os municípios que mais exportaram e menos sentiram os efeitos apontados no relatório.
Responsável pelo estudo, o economista Paulo Oliveira ponderou que é cedo para avaliar os impactos do coronavírus nas transações comerciais com a China. Mas ressalta que os insumos vindos do país oriental são fundamentais à produção regional. “Do lado da importação, o país é o principal parceiro comercial, respondendo por cerca de 23% dos produtos importados”, informa. “Se a atividade industrial chinesa se retrair, rompendo as cadeias de fornecimento, nossas empresas podem ficar desabastecidas.”
No caso de Indaiatuba, de acordo com Paulo, a participação da China no comércio exterior é de apenas 1,78% do total importado em janeiro de 2019, e 0,1% nas exportações do mesmo período. “A alta pode ser explicada pela estratégia de algumas empresas em acumular estoques, antecipando possível agravamento da situação na China”, analisa.
Segundo o economista, os principais produtos exporta-dos em janeiro de 2019 foram torneiras e válvulas (317 mil dólares), além de bombas de ar ou vácuo, compressores e ventiladores, transformadores elétricos, conversores e máquinas para processamento de dados. “Desses produtos,
apenas as exportações de bombas de ar tiveram pequena alta em janeiro de 2020”, revela. Paulo ressalva que, embora o efeito negativo na importação de alguns produtos e positivos em outras possa estar relacionado com o desaquecimento da economia chinesa, não é possível estabelecer ligação direta entre os eventos. “A queda considerável nas exportações para China indica de forma mais clara o possível efeito negativo para as vendas externas de Indaiatuba”, comenta. “No entanto, os efeitos são mínimos, dado que o município não tem a China como um grande parceiro comercial.”

Deficit
No geral, considerando as trocas comerciais envolvendo outros países, os números da RMC são pouco animadores: apesar da leve diminuição no deficit comercial, este foi o terceiro pior desempenho na década para o mês de janeiro. “2020 começou com sinal de queda na ati-
vidade econômica da indústria química, de telefonia e de eletrônicos. Por outro lado, é possível observar melhor dinâmica na agricultura e um tímido crescimento na indústria automobilística”, afirma Paulo.

Foto: Divulgação

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