Transporte público de Indaiatuba não atende recomendações da OMS

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Os usuários estão preocupados quanto às medidas preventivas dentro dos ônibus

As recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) orientam evitar aglomerações, manter distância de pessoas com sintomas de gripe e sair de casa apenas quando necessário. Entretanto, os usuários estão preocupados quanto às medidas preventivas dentro dos ônibus, geralmente lotados e sem ventilação.
Como muitas pessoas precisam ir ao trabalho e dependem do transporte coletivo, é recomendado passar álcool em gel antes de entrar nos ônibus e imediatamente após sair. Ainda, priorize lavar as mãos com água e sabão ao chegar em casa ou no trabalho. Dentro do ônibus, a dica é evitar tocar o rosto com as mãos e, se possível, higienizar com uma toalha e álcool superfícies tocadas por todos.
Além disso, abrir as janelas para que o ar circule seria é recomendado, porém a empresa prestadora do serviço de transporte coletivo urbano em Indaiatuba, a Sancetur/SOU adquiriu ônibus de carroceria com vidros colados, impossibilitando a abertura. O coronavírus é transmitido pelo ar, por isso ambientes fechados com ar-condicionado facilitam o contágio.
As mesmas dicas servem para motoristas de aplicativo. A higienização do volante, painel e maçanetas após cada passageiro sair é essencial para a segurança dos usuários do carro compartilhado.
Em outras cidades, como Campinas, as empresas retiraram os lacres das janelas e realizaram a abertura de todos os veículos, mesmo os equipados com ar-condicionado. A Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) determinou um cuidado maior com a higienização dos ônibus e recomendou que todos os veículos circulem com as janelas abertas.
O médico infectologista e pesquisador chefe do Instituto de Tecnologia em Saúde do Senai/Cimatec Roberto Badaró defendeu medidas que devem ser incluídas em plano de ações de contingência diante da pandemia do novo coronavírus.
“Por exemplo, uma coisa que é plano de contingência e que não vi: os ônibus não pode circular com o total de pessoas em pé. Não pode. Tem que reduzir a um terço o número de pessoas dentro do coletivo. Isso é uma determinação para que as pessoas que têm que se transportar, que não podem deixar de ir, possam ir com mais segurança. Isso tem que ser feito por determinação”, recomendou.
Badaró ainda afirma que seria necessário o uso dos ônibus com janelas abertas e sem uso do ar-condicionado. “Acho que isso está correto. Evidentemente que, com a recirculação do ar, o vírus passa no filtro do ar-condicionado. Então ele recircula com mais facilidade. Tem que abrir a janela mesmo”, defendeu.
A linha do Campo Bonito utilizada pela diarista Marlene Gobi está superlotada e tem a assustado, pois ela teme em contrair o vírus e passar para os familiares, que se enquadram no grupo de risco. “Eu tenho que usar o ônibus, o comércio que trabalho não parou de funcionar, e tenho receio de pegar o vírus, não tem jeito”.
“O vírus tem causado muita preocupação dentro dos ônibus, eu dependo deste transporte para trabalhar, toda hora entra e sai gente e é perigoso pegar. Quase ninguém usa máscara ou álcool em gel. Não tem ventilação no ônibus, não tem janelas para abrir, um absurdo “, comentou a balconista Samara Santos.

Porto Alegre
A Empresa Pública de Transporte e Circulação de Porto Alegre (EPTC) autorizou que os ônibus da Capital circulem com as janelas abertas, até aqueles que possuem ar-condicionado. A medida, aprovada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), foi tomada em razão das diversas solicitações de passageiros receosos com a contaminação de coronavírus.
Uma lei de 2017 determina que o ar-condicionado dos ônibus deve ser ligado, com as janelas fechadas, sempre que a temperatura da cidade ultrapassar 24°C — mesmo no inverno. No entanto, de acordo com a EPTC, o pedido para circulação com as janelas abertas foi acatado em razão de o coronavírus já estar em situação de pandemia mundial.
Alguns ônibus com ar-condicionado não possuem possibilidade de abrir as janelas. Segundo a EPTC, esses são minoria na frota, mas serão substituídos por determinação comunicada as empresas.

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